
Nos últimos tempos tenho visto muitas reportagens e campanhas contra o "bullying".
Acho super válida essa iniciativa,e muito importante falar nisso,qualquer debate inicial é positivo,para se começar a chamar a atenção para o tema.
Porém,ainda não entendi de onde surgiu esse empenho todo em falar disso agora, em 2011.
Hoje eu olho pra trás e vejo que eu levei muito a sério provocações bobas quando eu era criança,mas né,crianças não tem perspectiva do mundo como um todo,a visão de mundo de uma criança se resume basicamente à sua família e escola!
Eu nunca fui um alvo óbvio para o bullying,mas invariavelmente me tornava centro de provocações,desde os primeiros anos de escola,e mesmo mudando de escola 5 vezes a história se repetia.Acho que fui uma vítima fácil,já que eu,sem perceber, me colocava nessa posição de "indefesa,pobre de mim" sempre que possível.
Primeiro eu era muito tímida,olhava muito para o chão,falava muito baixo e corava com facilidade.Crianças sabem ser cruéis,e mesmo no quarto ano a gente começa a pensar "porquê não posso ser assim como eu sou???"
Depois me enturmei um pouco,fiz alguns amigos, mas ainda não parecia suficiente,eu era a mais nova da turma e ficava fácil ser zoada por ser a "santinha" ou tonta mesmo,como diziam.
Mesmo nos últimos anos de escola,quando eu já não ligava para insultos verbais comecei a ser agredida fisicamente,só por ter o cabelo claro e liso...sim,a categoria "minoria" é muito relativa,e onde eu cresci eu sempre fui minoria.
Enfim...o fato é que as pessoas não precisam de motivos para fazer mal a alguém.Para ofender e atingir,você pode escolher qualquer traço físico ou de personalidade e usar como desculpa.O gordo,o negro,a branquela,o tímido,a extrovertida...o problema não está na "vítima",e sim no "agressor'.
É legal falar do assunto na TV e tal...mas duvido muito que uma criança ou adolescente capaz de humilhar uma pessoa sem motivo algum seja tocado por campanhas e pare de agir dessa forma porque um famoso está dizendo "não faça".
Acho que algumas coisas na vida são inevitáveis,embora difíceis,acabam fazendo parte da nossa construção psicológica.
Não sei apontar a solução do problema.Só posso dizer que ter uma família amorosa e amigos de verdade (embora pouquíssimos) é o que faz a gente sair inteiro de qualquer tipo de violência.